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a forja - game design

CNS E OUTRAS QUESTÕES DA TEORIA DO RPG
parte 1

por Ron Edwards

É difícil ler “Sim, o sistema importa”, de Ron Edwards (DB 121, pp. 46-50), e não ficar com a pixie atrás da orelha. Começamos a nos perguntar se essa história de que as pessoas têm prioridades diferentes ao jogar RPG não teria mesmo algo a ver com certas coisas que acontecem na mesa de jogo e nos deixam meio perplexos, achando que nós ou os outros somos péssimos jogadores/Mestres. Sabe aquela situação desconfortável quando você, como Mestre, lança uma pista atrás da outra para os jogadores de Chupa-sangue: a Intriga e... nada acontece? Eles não investigam, não se metem nas fofocas da corte; só ficam olhando para você, esperando avidamente pelo próximo combate com os asseclas do vampirão que eles querem desbancar à força. Ou então quando você, como jogador de Calabouços&Cobrões, fica frustrado porque, mesmo depois de ter conseguido as informações mais importantes do jogo, usando o cérebro e a boa interpretação para dar um nó no guardião do segredo, acabou recebendo menos XP do que outros personagens-jogadores que, nesse meio-tempo, mataram cinco ogros, dois pelotões de goblins e uma penca de ratos.

Fica ainda mais difícil se livrar da maldita pixie quando você é ou pretende ser designer de RPG. Quer dizer, se as pessoas realmente priorizam certas maneiras de jogar, se há Competitivistas, Narrativistas e Simulacionistas por aí, e se não há como agradar a todos, o que fazer? Como se pode inovar? E, o que talvez seja o mais importante, será que, como futuro designer, você entende de fato o que é jogar RPG, e o que as pessoas desejam quando jogam, para criar um sistema coerente, e não uma colagem de técnicas e métodos que já foram utilizados antes com variados graus de sucesso? Nos dias de hoje, de que adianta criar mais um sistema com atributos, perícias, ataque, pontos de vida e testes com os dados?

O que Ron Edwards e outros freqüentadores da comunidade “The Forge” estão fazendo é teorizar sobre a prática e o design de RPG. Seu principal objetivo é dar nomes às coisas e aos processos envolvidos, criar um vocabulário comum para nortear as discussões. Uma teoria do RPG pode dar aos futuros designers as ferramentas de que precisam para criar e desenvolver jogos melhores e mais coerentes. Mas por que se dar a esse trabalho? Porque, segundo o próprio Edwards, há uma legião de RPGistas frustrados lá fora que não sabem ainda expressar muito bem o que esperam do hobby e que passam a jogar este ou aquele título apenas porque os amigos estão fazendo a mesma coisa. É por esses infelizes que “A Forja” existe.

A síntese das idéias de Ron Edwards sobre a prática do RPG é o Modelão, algo que ele propôs aos outros “forjistas” em novembro de 2003. No entanto, essa síntese só foi possível depois de anos de troca de idéias, discussões acaloradas, críticas, ensaios e mudanças na terminologia. Como é impossível reproduzir na DB um fórum on-line inteiro, vamos publicar os ensaios mais importantes de Edwards de 2001 para cá, a começar pelo imenso “CNS e outras questões sobre a teoria do RPG” [GNS and other matters of role-playing theory]. Obviamente, teremos de dividir o ensaio em partes menores e apresentar uma delas a cada número. A pedido do próprio autor, vamos tentar atualizar os artigos em relação ao vocabulário que é empregado hoje pelos forjistas, sem, contudo, alterar demais os textos originais. Por isso, as notas inseridas no texto serão muito importantes. Ao final de “A Forja”, você encontrará um quadro lateral com todas essas notas.

Uma última observação. Assim como o vocabulário da teoria CNS foi mudando ao longo dos anos até chegar ao Modelão, alguns termos empregados nesta tradução também começam a divergir um pouquinho daqueles que foram usados em “Sim, o sistema importa” (DB 121). Falaremos, a partir de agora, em Competitivismo, Narrativismo e Simulacionismo, e não mais em Competição, Narração e Simulação. Conseqüentemente, em vez de Competidor/Narrador/Simulador, teremos Competitivista/Narrativista/Simulacionista.

Leia a matéria completa na Dragão Brasil 122.